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terça-feira, 19 de abril de 2016

Quite while you still ahead



A entrada de Axl Rose para os AC/DC caiu como uma bomba no meio musical.
As opiniões não se fizeram esperar, abrindo barricadas pró e contra a entrada do líder dos Guns 'n Roses para a banda australiana.
Rose até seria a escolha correcta. Timbre, postura, qualidade e maturidade poderíam revelar uma escolha ideal para substituir Brian Johnson, mas isso simplesmente não é possível. Não será caso único mas em todos os anteriores as coisas não correram bem, aliás, só em Portugal tenho memória de uma mudança semelhante, por razões distintas, ter permitido à banda em causa aumentar sucessos e esquecer o passado, mal, quanto a mim. Foram os GNR que cresceram quando Rui Reininho tomou as rédeas até ali seguras por Alexandre Soares. Mas a dimensão dos AC/DC não é a dos GNR, talvez se aproxime dos Queen que passado décadas tiveram a coragem de testar, sem êxito mas com bilheteira, a inclusão de Adam Lambert na banda, ou dos Pink Floyd que nunca substituíram Roger Waters, os Joy Division que aceitaram a morte de Ian Curtis, os Rolling Stones seguiram sem Brian Jones ou dos Doors com Jim Morrison.
A verdade é que o próprio Brian Johnson não é um original, uma vez que já substituira Bon Scott, morto por excesso de álcool em 1980 e, antes disso, Dave Evans, esse sim the original, gravou o primeiro single da banda mas...foi demitido. Na altura, os AC/DC, que arrancaram em 1974, estavam em crescendo e as mudanças não terão sido notadas e, por isso, foram aceites e, no fim, acabou por correr bem. O caso agora é diferente, são 42 anos feitos de impressões digitais muito fortes de cada um dos membros, provavelmente incapazes de serem limpas ou postas de parte.
 


Os AC/DC são uma banda assombrada. Bon Scott morreu, Dave Evans foi despedido, Malcolm Young ficou demente, Phill Rudd teve problemas com a polícia e saiu e agora Brian está surdo. Mau demais para uma só banda que, no entanto, criou uma máquina tão grande que pará-la é quase impossível, só a quebra abrupta nas vendas o poderá fazer. Daí que o mais saudável talvez pudesse ser um fim honrado. Os Joy Division remanescentes transformaram-se nos New Order e o projecto não só funcionou como, tal como a banda anterior, tornou-se icónica. Talvez fosse altura dos sobreviventes dos AC/DC pudessem partir para um novo rumo deixando intacto o legado da mais lendária banda hard rock de sempre.
Provavelmente, a presença de Axl Rose durará apenas o tempo da tourneé europeia, numa espécie de balão de ensaio antes de passarem para os concertos norte-americanos. Depois o balanço será feito e a probabilidade de Axl manter-se é quase nula, até porque os Guns mantêm-se. E Brian pode regressar...nunca se sabe.
 

Mas e Axl? O que o motivou?
Não basta ter Slash, nem Slash tem pachorra para tudo, que salva uma banda como os Guns 'n Roses que, reconheça-se, teve um papel fundamental do renascimento do hard rock na década de 90. O virtuosismo do guitarrista apenas foi traído pela volatibilidade de um vocalista que tinha tanto de qualidade como de imaturidade. Desde aí, os Guns acabaram, caíram num poço, reergueram-se mas nunca mais foram os mesmos. O mundo tinha mudado, Axl tinha mudado mas nada seria igual, só Slash e só Slash não chega.
O desafio de integrar os AC/DC, mais do que golpe publicitário de Axl era, muito provavelmente, o concretizar de um sonho. Quantos recusariam integrar, nem que fosse por uma noite uma banda que serviu de inspiração, de referência? Não se pode levar a mal. Tenta, para o bem ou para o mal, mas tenta e tentar nunca pode ser censurável. E há ainda o benefício da dúvida, o quem sabe?
No vídeo que se segue, Axl tenta o Whole Lotta Rosie. Não têm a sonoridade dos AC/DC mas seria injusto dizer que Axl não cumpre...

E sim, os AC/DC (tal como os Cult) são referências minhas no que ao (hard)rock dizem respeito
 


 

terça-feira, 22 de março de 2016

Banksy vendeu-se


O mais famoso grafitter do Mundo, Bansky, está debaixo de fogo.
Aquele que, sem dar a cara, correu mundo para deixar nas paredes mensagens que tocaram a sociedade e denunciaram quase tudo e todos, aliou-se à banca e criou uma exposição que tem tanto de polémica como de trágica. A Banksy & Co. reune peças da street art dentro de quatro paredes e pior que isso, ignora dezenas de grafitters que perderam os direitos autorais das obras que "ofereceram" a paredes abandonadas porque os direitos foram comprados aos donos das... paredes.
Banksy e o sucesso do que foi fazendo terá despoletado tudo isto, com alguns dos seus trabalhos a serem retirados das ruas para serem leiloados, alguns deles, avaliados em mais de um milhão de dólares. Ora, o famoso grafitter britânico terá gostado do sabor dos milhões e seguiu em frente para uma exposição que poderá marcar o fim do melhor da street art.
Uma das primeiras reacções foi de outro dos mais famosos grafitters do mundo, o italiano Blu, que não se lhe conhece o rosto mas cujas obras são referência e admiradas tanto como as de Banksy. Não se lhe conhece o rosto mas as suas opiniões são sobejamente conhecidas e, desta vez, Blu, não suavizou a resposta à Banky & Co. O artista, com atividade internacional mas "sede" em Bolonha, apagou todos os trabalhos das paredes da cidade italiana que acordou com um trágico cinzento onde outrora estavam murais de street art assumidos como património da cidade.



Blu, que passou em Lisboa e tem mural na Av. Fontes Pereira de Melo, escreveu no seu blog que "não há mais Blu em Bolonha, e não haverá mais arte enquanto os magnatas especularem". O artista, de 35 anos, explicou que o gesto, que deverá ser seguido por mais grafitters, é "uma acção contra os ricos e poderosos que tiram a arte da rua, da rua".
No centro da polémica, aliado de Banksy, está Roversi Monaco, presidente da Academia de Belas Artes e do banco IMI, que tem desencadeado múltiplas acções no sentido de "pedir autorização aos proprietários legítimos dos edifícios devolutos onde estes murais estavam", para que as obras possam ser extraídas. Cerca de 250 obras, retiradas desta forma das ruas, estão agora em exposição no Palazzo Pepoli, algo que a comunidade de grafitters não consegue suportar, sobretudo, quando a arte de rua passa a ser acessível num museu onde a entrada custa 13€
Banksy perdeu o charme e a rebeldia que lhe era reconhecida e o Mundo aguarda por uma palavra do mais famoso dos artistas de rua que, de alguma forma ajude a repôr a sua imagem, por outro lado, a street art entra num período onde a discussão é a musealização de uma forma de expressão essencialmente ou até exclusivamente de rua. Ao Público, o português André Saraiva defende que "o grafitti tem lugar na cidade, ilegalmente e à noite", algo que Bansky & Co. pretende questionar.